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ARRAES: Entre o mito e a realidade


João Rego
Artigo publicado no Jornal do Commercio em 21 de Agosto de 1992


" O líder passa a representar a soma de todas as perfeições que o ego narcisista encontrava em si mesmo...A conseqüência desse 'abandono ao objeto, que não se distingue em nada ao abandono sublime a uma idéia abstrata é que a crítica se cala.Tudo que o objeto (líder) faz e exige é bom e irrepreensível..."(Freud em "Psicologia de massa e análise do ego")"


É necessário denunciar a falta de maturidade intelectual de amplos setores da esquerda que ainda insistem em ver em Arraes apenas o mito, e sobre este mito teimam em investir suas energias e seus projetos políticos.

Apenas o militante ingênuo e desprovido de um mínimo de capacidade de perceber, e elaborar uma percepção entre o imaginário encobridor e a realidade, é capaz de seguir este mito da nossa pré-história política (excluam-se os parasitas, caso crônico da nossa cultura partidária).

As derrotas políticas de toda uma geração que foi manietada pelo regime militar e a ansiedade de resgatar a democracia para a sociedade foram responsáveis pela volta de Arraes ao poder. "Entrou pela porta que saiu", era necessário reconduzir o mito para o centro do poder local a fim de satisfazer a horda sofrida e frustrada pela tortura, pelo exílio e pela falta das liberdades políticas. E funcionou, foi um momento catártico para todas as forças progressistas.

Mas apenas isto!

A realidade, adversária cruel daqueles que guiam suas vidas pela paixão ideológica, é que sua prática político-administrativa, se comparada com os projetos de transformações estruturais da realidade social propostos na campanha, se reveste da mais absoluta ineficácia e deslealdade com os seus eleitores.

Enclausurado no Palácio do Campo das Princesas, cercado de áulicos e administrando o governo com um secretariado incapaz de elaborar uma crítica ao seu processo decisório (até porque mito não se critica, se reverencia), Arraes tratou inteligentemente de se manter e preservar-se como mito.

Implantou uma prática nepotista , alijou a esquerda mais consistente, dando espaços a direita fisiológica em algumas secretarias, e ainda de forma extremamente irresponsável, destruiu setores da estrutura pública, como o sistema de planejamento do governo, que havia levado décadas para ser implantado. Isto tudo a pretexto de construir o novo, sendo que em seu lugar deixou apenas o efeito devastador da sua prática administrativa.

Agora, este senhor, servindo-se de um discurso aparentemente progressista, e que inteligentemente consegue enganar os incautos, vem investir mais uma vez no processo político local. Munido da sua prática coronelista, consegue impor ao PSB o nome do neto que, diga-se de passagem, nada consta contra o jovem político, com o objetivo de reproduzir-se politicamente através de seus herdeiros.

Hábito inaceitavelmente feudal para um partido que se pretende progressista.

Os setores mais esclarecidos da sociedade sabem que a consolidação de uma sociedade democrática só se dará através de uma prática política séria e conseqüente, do fortalecimento das instituições, do avanço organizacional e autônomo dos movimentos sociais e principalmente da superação dos conflitos e contradições sócio-econômicas.

Sabem que sem redistribuição da riqueza não há solução. Para que isto venha a ocorrer, é necessário a convergência de muitos esforços, dos mais diversos setores. Demanda-se muito trabalho e acima de tudo uma ação política nova e renovadora, capaz de, apreendendo os novos momentos que a história nos apresenta, construir o futuro emancipador.

Neste novo cenário não há lugar para o arcaico, o mitológico, o encobridor. O diálogo aberto, a crítica imprescindível à ação comunicativa do processo político, as idéias transformadoras e a capacidade de bem gerenciar o poder público, são instrumentos e padrões de comportamento que não se adequam a uma forma ultrapassada de fazer política.

***

 

João Rego é psicanalista e cientista político.(jrego@politica-democracia.com)

É presidente do Instituto Política e Democracia: Cidadania e Transformação Social na América Latina.

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